Na Islândia, a temporada de puffins é marcada por uma prática tradicional e controversa: arremessar filhotes de papagaios-do-mar de penhascos para o oceano. A ação ocorre entre agosto e setembro, nos arquipélagos costeiros, especialmente nas Westman Islands.
Os puffins, nativos do norte do Atlântico, criam filhotes em tocas nas falésias. Quando atingem a maturidade, vão para o mar, retornando anos depois para se reproduzir. Luzes urbanas dificultam o retorno, levando muitos filhotes a se deslocarem para longe da costa.
Durante a chamada temporada, moradores e voluntários procuram os filhotes perdidos à noite, com lanternas. Encontram de quatro a dez aves por noite, em locais iluminados como escolas, hospitais e postos de gasolina. Os animais são manuseados com luvas para evitar contaminações.
Após o resgate, os filhotes são colocados em caixas para transporte. Perto do porto, barcos com redes recolhem os pássaros que caem na água, para evitar que o óleo na água afunde as aves. No dia seguinte, as crias são soltas em locais próximos ao mar.
Conservação e contexto
A espécie passa por queda populacional significativa, em parte devido ao aquecimento das águas, que reduz a disponibilidade de peixes. Estudos indicam que um aumento de 1 °C na temperatura pode reduzir a reprodução em mais da metade. O desvio de trajetória até o oceano aumenta a mortalidade e complica a recuperação da espécie.
A caça de puffins é legal na Islândia, o que agrava os desafios para a conservação. A prática de resgatar as aves é apontada como essencial para evitar o declínio acelerado da população. Registros dos avistamentos ajudam pesquisadores a monitorar os impactos ambientais e populacionais.
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