As baleias-jubarte concentram, em suas rotas migratórias, um ocupante inusitado: cracas que se prendem ao corpo e cujos padrões de morfologia refletem o fluxo de água ao redor do cetáceo. Um estudo do Instituto de Biociências da USP analisou 136 amostras de Coronula diadema coletadas entre 2000 e 2024, em baleias encalhadas entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Sul. A pesquisa vincula tamanho, forma e posição das cracas ao hidrodinâmica do animal.
Os resultados indicam variação morfológica significativa das cracas dentro de um mesmo indivíduo. Cracas próximas ao pedúnculo caudal tendem a ser menores, mais grossas e com base mais ampla, possivelmente pela turbulência gerada pela cauda. Em contraste, cracas nas mandíbulas, nas nadadeiras e no ventre costumam ser maiores e mais alongadas, beneficiadas por um fluxo de água mais suave.
As pesquisadoras, lideradas pela doutoranda Teresa de Filippo, destacam que as diferenças não parecem depender do sexo da baleia, já que não houve evidências de dimorfismo entre cracas de machos e fêmeas. A equipe aponta que fatores ambientais, como alimentação e hidrodinâmica, moldam cada indivíduo, e não apenas variações entre animais distintos.
O que foi observado
As cracas estudadas são de espécie hermafrodita, sem dimorfismo sexual aparente. Fotografias e análises geométricas das 136 amostras permitiram comparar forma e tamanho entre regiões do corpo da baleia. A hipótese inicial era de que o comportamento reprodutivo dos machos influenciaria o formato das cracas, mas os dados não sustentaram isso.
Significado e próximos passos
A pesquisa sugere que a hidrodinâmica exerce papel relevante na plasticidade morfoestrutural das cracas. Segundo Tammy Arai, orientadora de Teresa, o estudo é pioneiro ao medir esse efeito em epibiontes de cetáceos. Os autores defendem a necessidade de mais pesquisas que integrem hidrodinâmica, genética e alimentação para entender plenamente a adaptação das cracas.
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