A expansão de garimpos de ouro ilegais em Indonesia deixou um rastro tóxico, especialmente em Bukit Gajah Berani, no distrito Merangin, Sumatra. Aris Adrianto, chefe do escritório florestal de Birun, acompanhou a destruição da mata pelo corte de árvores e pela passagem de maquinários pesados.
O preço do ouro subiu quase 70% no ano passado, batendo US$ 4.500 por onça. A escalada impulsionou a atuação de garimpeiros ilegais, que avançam em áreas protegidas e colocam em risco a saúde pública e o cumprimento de acordos internacionais de defesa ambiental.
Bukit Gajah Berani fica próximo ao Parque Nacional Kerinci Seblat, a maior reserva de floresta primária de Sumatra e habitat crítico do tigre de Sumatra. A área é parte de um mosaico que sofreu com mineração neste século.
Em levantamento da Nusantara Atlas, entre 2000 e o fim de 2023, 721 mil hectares foram desmatados pela mineração na Indonésia, incluindo 150 mil hectares de floresta antiga. Ouro respondeu por cerca de 20% desse total.
Relatos de Mongabay Indonesia apontam aumento de casos de doenças, violência comunitária e invasão de florestas por garimpeiros grandes e pequenos. A poluição por mercúrio é um componente central desses impactos.
Mercúrio e health
A história de Minamata, nos anos 1950, evidenciou os impactos do mercúrio em humanos. A Convenção de Minamata, em vigor desde 2017, prevê reduzir o uso de mercúrio e eliminar práticas perigosas até 2034.
Na Indonésia, estudos indicam que boa parte do mercúrio vem de minas de cinnabário, exploradas em servo oeste e outras regiões. O mercúrio é utilizado na extração de ouro e contaminou rios e solos.
Autoridades e ONGs defendem punição a garimpos ilegais, restauração de áreas contaminadas, armazenamento seguro de resíduos de mercúrio e monitoramento ambiental mais intenso.
Ações e desafios
O governo criou uma forma de regularização para comunidades (mineração comunitária), mas ainda não concedeu licenças de operação em Jambi. A prática ilegal permanece dominante em diversas áreas.
As autoridades destacam que o comércio de ouro ilegal sustenta a atividade, com comerciantes e transportadores cruzando serras para chegar a grandes centros. As prisões e multas já ocorreram, mas a prática persiste.
Ao lado, há pressão para ampliar fiscalização, coibir extrativismo sem autorização e reforçar a coleta de dados sobre mercúrio e saúde pública. A atuação conjunta é apontada como necessária para frear o desmatamento.
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