O Parcel de Manuel Luís, no litoral oeste do Maranhão, abriga um sítio arqueológico subaquático relevante. Esse trecho é conhecido como o “Triângulo das Bermudas brasileiro” por registrar inúmeros naufrágios ao longo de séculos. A área fica a 80 quilômetros da Ilha dos Lençóis e ocupa 45 mil hectares.
A região tem história de navegação intensa desde o século XIX. Navios como Venus (1814), Resolução (1818), Jeune Amiral (1885) e Salinas (1904) teriam afundado ali, vítima de recifes e estruturas submersas. Acidentes não se repetem hoje graças às cartas náuticas modernas.
Panorama histórico e geográfico
O parcelamento das margens foi mapeado pela primeira vez em 1820, por um hidrógrafo francês. A descoberta ajudou a entender por que navios ainda hoje podem encalhar ao atravessar o local. Os mares da região guardam segredos que afetam a navegação.
A região abriga o maior cemitério de embarcações sob o mar brasileiro, com estimativas de cerca de 200 naufrágios apontadas pela assessoria de comunicação do Ministério do Meio Ambiente. Entre eles, pelo menos 10 embarcações já foram identificadas no fundo do parque.
O caso da Ana Cristina e a conservação
A embarcação mais famosa é o cargueiro Ana Cristina, que afundou em fevereiro de 1984. Ele zarpou de Areia Branca (RN) com destino a Mungubá (PA), levando 21 tripulantes e dois passageiros. O navio colidiu com um recife de corais ao passar pelo Parcel.
Mergulhadores podem localizá-la no fundo do Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís, criado em 1991 e ligado ao município de Cururupu (MA). A área é reconhecida pela biodiversidade marinha e demanda novos estudos arqueológicos.
A administração do parque busca, ainda, planos de preservação para a fauna e a flora locais. O objetivo é esclarecer resquícios de naufrágios e consolidar a proteção do patrimônio subaquático.
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