O estudo analiza a relação entre longevidade e miscigenação entre brasileiros. Centenários e supercentenários são o foco, com dados clínicos e genéticos coletados em várias regiões do país. A hipótese é que a diversidade genética possa influenciar envelhecimento saudável.
A primeira fase envolveu mais de 100 centenários, incluindo 20 supercentenários, de diferentes origens e classes sociais. A equipe é ligada ao Genoma USP, sob a liderança da geneticista Mayana Zatz, e já mapeou variantes genéticas nesses indivíduos.
Objetivo e método
A pesquisa visa identificar fatores genéticos e imunológicos que expliquem a longevidade extrema. Parte dos resultados é preliminar, segundo os pesquisadores. O próximo passo é analisar o perfil imunológico da amostra com colaboração da UFMG.
Os autores ressaltam que o Brasil, com mais de 37 mil pessoas com 100 anos ou mais, representa um campo único para esse tema. A diversidade brasileira é destacada como lacuna em bancos de dados genéticos.
Perspectivas e perguntas em aberto
Os coordenadores ressaltam que, em comparação com a população europeia, há diferenças de vulnerabilidade e acesso à saúde. A equipe estuda como a miscigenação pode trazer variantes não observadas em populações mais homogêneas.
Entre os coautores, Mateus Vidigal afirma que o estudo pode orientar diretrizes para envelhecimento com saúde. A pesquisa pretende ampliar amostras nos próximos cinco anos, com recrutamento de pessoas acima de 95 anos.
Observações sobre os participantes
Os pesquisadores observam estabilidade hormonal diferente em supercentenários, com sinais de preservação de hormônios sexuais. Esse padrão está ligado a uma maior resistência celular ao envelhecimento.
Avaliando o estado funcional, os autores destacam que muitas pessoas com mais de 100 anos mantêm lucidez, independência e atividades físicas. Ainda assim, o grupo inclui indivíduos com hábitos variados.
Participação e próximas etapas
Interessados em integrar a pesquisa podem enviar dúvidas para dnalongevo@usp.br. O artigo Insights from Brazilian supercentenarians está disponível on-line, com dados da coorte brasileira.
A irmã Inah Canabarro Lucas, lembrada como a pessoa mais velha do mundo em determinado período, figura entre os casos estudados. Em termos de padrões, mulheres apresentam maior longevidade e estatura mais baixa pode estar associada a maiores chances de vida longa.
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