Um guia turístico de turismo rural descobriu, há cerca de uma década, uma cobra pequena de cores preta e bege em uma fazenda de café no sul da Índia. Agora, cientistas a descrevem como uma espécie nova para a ciência, batizada Rhinophis siruvaniensis.
A designação homenageia as Siruvani Hills, o único lugar em que a cobra é conhecida até o momento. As colinas ficam nos Western Ghats, na fronteira entre os estados Kerala e Tamil Nadu. A descoberta envolve pesquisadores que estudam cobras fossoriais, também chamadas shieldtails, que vivem em subterrâneo.
Descoberta e significado científico
A espécie Rhinophis siruvaniensis pertence a um grupo de cobras não venenosas que se enterram no solo. No total, há cerca de 20 espécies de Rhinophis em Sri Lanka e seis em território indiano até agora. O estudo aponta que esse grupo é pouco conhecido, o que dificulta avaliar hábitos, reprodução e níveis de ameaça.
Um dos coautores do estudo, um herpetólogo com mais de uma década de pesquisa sobre shieldtails, destaca a escassez de informações sobre o comportamento subterrâneo dessas cobras, sobre quando sobem à superfície e sobre sua conservação. A atualização sugere que espécies similares podem ocorrer fora de florestas protegidas.
Siruvani Hills já revela uma diversidade recente de espécies descritas, incluindo outra cobra shieldtail e várias amostras de anfíbios e répteis. A presença de Rhinophis siruvaniensis em plantações de monocultura indica a necessidade de conservar as florestas locais para entender melhor a biologia e proteger a espécie.
Conservação e próximos passos
Os autores ressaltam a importância de compreender a extensão do alcance da nova espécie, já que o território conhecido está fortemente marcado por plantações de café e especiarias. A descrição da cobra amplia a discussão sobre diversidade de shieldtails fora de áreas protegidas.
Estudos futuros devem investigar a distribuição real da Rhinophis siruvaniensis, seu papel no ecossistema subterrâneo e possíveis ameaças associadas à agricultura, como manejo de solo e uso da terra. A pesquisa reforça a necessidade de equilibrar produção agrícola com conservação de habitats.
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