O tubarão-da-groenlândia, gigante das águas frias do Atlântico Norte e Ártico, pode manter a visão mesmo após décadas de vida. Novo estudo publicado na Nature Communications desmonta a ideia de cegueira dessa espécie centenária.
A pesquisa, liderada por Dorota Skowronska-Krawczyk, da Universidade da Califórnia em Irvine, analisou olhos de tubarões capturados entre 2020 e 2024 perto da Groenlândia, próximo à Estação Ártica da Universidade de Copenhague. Muitos animais já tinham mais de 100 anos.
Os resultados mostram olhos funcionais sem sinais claros de degeneração retinal. A rodopsina, proteína da visão em baixa luminosidade, permanece ativa e ajustada para luz azul, comum em ambientes profundos e turvos.
Um novo olhar sobre a visão
O achado contradiz a ideia de que esses tubarões enxergam pouco ou quase não enxergam. Em humanos, a visão costuma deteriorar com a idade; no tubarão, a retina parece resiliente mesmo em idade avançada.
Os autores destacam que a luz azul penetra melhor em águas frias e escuras, o que pode orientar adaptações visuais ao ambiente. A pesquisa reforça o interesse em entender mecanismos de manutenção ocular ao longo de longos períodos.
Genoma único e longevidade
Em paralelo, um consórcio internacional publicou, em 2024, o sequenciamento completo do genoma da espécie. O tamanho é de cerca de 6,5 bilhões de pares de bases, o maior entre tubarões e quase o dobro do genoma humano.
A comparação com outras espécies revelou 81 genes exclusivos, muitos ligados ao reparo de DNA. A hipótese é que esses genes ajudam a mitigar mutações e danos genéticos, contribuindo para a longevidade extrema.
Ainda segundo o estudo, o gene TP53, ligado à supressão de tumores, também está presente no tubarão, similar ao que ocorre em animais como o elefante. Esses elementos genéticos podem atuar em conjunto para manter tecidos, como a retina, estáveis ao longo de séculos.
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