Um estudo recente revisa de forma significativa a visão tradicional sobre o crescimento do Tyrannosaurus rex. A pesquisa sugere que o gigante predador do Cretáceo pode ter levado até quatro décadas para atingir o tamanho adulto, em vez de cerca de 20 anos.
A análise reúne dados histológicos de 17 espécimes, desde juvenis até indivíduos grandes, e utiliza cortes finos de fêmur e tíbia sob iluminação especial. O trabalho aponta variação expressiva entre os animais, influenciada por alimento, ambiente e saúde.
O estudo é liderado pela professora Holly Woodward, da Universidade Estadual de Oklahoma, em parceria com o matemático Nathan Myhrvold e o paleontólogo Jack Horner, da Universidade Chapman. A colaboração combinou métodos de biologia e estatística para reconstruir o crescimento populacional.
Metodologia e dados
Os autores destacam que os métodos anteriores usaram poucos fósseis e combinaram ossos diferentes, o que limitava a resolução. Nesta pesquisa, 17 cortes transversais de ossos de peso carregado foram analisados com diferentes luzes para revelar marcas de crescimento não vistas antes.
Foi aplicado um modelo estatístico que estima idade relativa e curva de crescimento da população simultaneamente, integrando registros incompletos de vários animais. O resultado aumenta a precisão e evita depender de dados isolados.
Conforme o estudo, a curva de crescimento indicada revela que o T rex crescia mais lentamente, com grande variação entre indivíduos. Fatores ambientais e disponibilidade de alimento aparecem como determinantes nesse padrão de desenvolvimento.
Implicações ecológicas
A principal conclusão é que muitos T rex não atingiam a idade adulta plena. Apenas dois dos 17 espécimes analisados parecem ter chegado ao tamanho máximo. A maioria morria em fases intermediárias de crescimento.
Especialistas argumentam que uma adolescência extensa altera a avaliação do papel ecológico do grupo. Um T rex jovem apresentava capacidade energética e função predatória distintas em relação a um adulto.
Para Horner, a nova estimativa de crescimento sugere que T rex poderia desempenhar várias funções ecológicas ao longo de décadas, contribuindo para o domínio como carnívoros de topo no final do Cretáceo.
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