No início da pandemia de Covid-19, Bio-Manguinhos/Fiocruz mobilizou esforços para localizar e transferir tecnologia de vacinas. A iniciativa levou à chegada da vacina de Oxford/AstraZeneca ao Brasil e à produção nacional de insumos críticos, fortalecendo o SUS.
A liderança do instituto, representada pela pesquisadora Rosane Cuber, ressalta que as plataformas de imunização já eram consolidadas. A adaptação rápida decorreu de um acervo científico existente, que permitiu ajustes para novas vacinas sem partir do zero.
Desde março de 2020, a Bio-Manguinhos ampliou a produção de testes diagnósticos e iniciou a prospecção de vacinas em desenvolvimento para aquisição por meio de transferência de tecnologia. As negociações com Oxford/AstraZeneca começaram em agosto daquele ano.
A primeira remessa da vacina inglesa, com 2 milhões de doses, chegou ao Brasil em janeiro de 2021, dias antes da autorização emergencial da Anvisa. A aplicação começou em 23 de janeiro, com controle de qualidade interno sendo ampliado para atender a demanda.
A parceria permitiu que, a partir de fevereiro de 2021, o ingrediente ativo da vacina passasse a ser importado apenas para a etapa final de envase pela própria Fiocruz, que passou a produzir o insumo no Brasil. Em 2022, a vacinação passou a ocorrer com imunizante 100% nacional.
A atuação da Bio-Manguinhos durante a pandemia consolidou o papel do laboratório como principal unidade de desenvolvimento de vacinas do Brasil e elevou a confiança regulatória. A Anvisa acompanhou todo o processo, assegurando padrões de segurança.
Legado e novas frentes de pesquisa
A produção nacional de vacinas abriu espaço para aplicações futuras em terapias avançadas, como tratamentos para atrofia muscular espinhal (AME). A tecnologia de vetor viral, utilizada na AstraZeneca, também sustenta novas pesquisas em medicamentos de alto custo.
Ainda neste ano, começam testes clínicos de uma vacina contra a Covid-19 baseada em RNA mensageiro, com potencial para ampliar plataformas de imunização nacionais. O objetivo é reduzir custos e fortalecer a soberania sanitária.
Segundo Rosane Cuber, o fortalecimento industrial de Bio-Manguinhos facilita a entrega de terapias para o SUS e amplia o acesso a tratamentos de alto custo, com possíveis reduções de preço e maior autonomia tecnológica.
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