Bovinos mostraram sinais de inteligência ao usar ferramentas para se coçar. Veronika, uma vaquinha doméstica dos pastos austríacos, aprendeu sozinha a manipular objetos para alcançar áreas do corpo inacessíveis.
Morando com o fazendeiro Witgar Wiegele em Nötsch im Gailtal, perto da fronteira com a Itália, Veronika vive entre campos, árvores e casas simples. Ela é tratada como animal de estimação, diferente da maioria das vacas de fazenda.
A rotina da vaquinha inclui passeio e descanso na grama. Em situações de coceira, ela apanha uma enxada ou outra ferramenta com a boca, usando-a para alcançar regiões que não tocam com a língua.
Descoberta e alcance científico
O comportamento chamou a atenção de pesquisadores que viajaram à Áustria para estudo. O uso de ferramentas entre bovinos é raro e, até então, observado apenas em algumas espécies, como macacos, elefantes, golfinhos e polvos.
Os cientistas registraram Veronika utilizando uma vassoura para coçar. Em dez experimentos, repetidos em sete sessões, ela executou 76 ações de coçar com a ferramenta.
Detalhes da experimentação
Foi observada a vaquinha usar partes diferentes da vassoura para regiões distintas do corpo. Areias com cerdas duras foram aplicadas nas costas, enquanto o cabo, mais suave, serviu para áreas da barriga.
Essa versatilidade, em que a mesma ferramenta é empregada de maneiras distintas, é rara na natureza e havia sido registrada apenas em humanos entre espécies não humanas.
Interpretações e contexto
Especialistas destacam que a habilidade sugere flexibilidade cognitiva e resolução de problemas. A trajetória de Veronika indica que o gado pode possuir capacidades cognitivas mais elevadas do que se supunha.
O estudo ressalta que a vaca recebeu cuidados como animal de estimação, o que pode ter contribuído para seu desenvolvimento. Os autores destacam que a observação reforça a ideia de inteligência bovina.
Perspectivas e referências
A pesquisa questiona a visão tradicional sobre o gado e apresenta Veronika como caso notável de uso inovador de ferramentas entre bovinos domésticos. A equipe afirma que o feito se aproxima de uma forma de empatia e adaptação ao ambiente.
Os autores concluíram que a capacidade de selecionar, ajustar e empregar uma ferramenta com destreza demonstra níveis avançados de cognição em Veronika, abrindo espaço para novas investigações sobre bovinos.
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