A IUCN lançou uma comissão de especialidade voltada à conservação de microrganismos, comunidades invisíveis que sustentam a vida na Terra. O grupo pretende mapear, avaliar e proteger micróbios sob risco, conectando biodiversidade, clima e saúde planetary.
A iniciativa envolve Raquel Peixoto, co-presidente do grupo de especialistas e head do Marine Science Program na King Abdullah University, e Jack Gilbert, co-presidente do grupo. O objetivo é incluir micróbios na agenda de conservação formalmente.
A estratégia inicial envolve criar planos de conservação para ecossistemas microbianos ameaçados por destruição de habitat e atividades humanas. Também está nos planos o desenvolvimento de uma Lista Vermelha de micróbios, apontando espécies em risco.
A intervenção ocorre em um contexto de pressões crescentes sobre microbiomas em plantas, animais e ambientes. Polluição, mudanças climáticas e uso da terra afetam comunidades microbianas fundamentais para a saúde de ecossistemas.
Prochlorococcus, microorganismo oceânico que gera boa parte do oxigênio, pode recuar 17% com aumento de 2°C na temperatura global, segundo estudo citado. Outros impactos envolvem cadeias alimentares e serviços ecossistêmicos.
Especialistas destacam que danos a microrganismos podem provocar efeitos em cascata: equilíbrio de nutrientes, nitrogênio e água no solo, além do suporte a organismos marinhos e terrestres, incluindo humanos.
Avanços recentes incluem uso de probióticos marinhos para apoiar corais sob estresse térmico. Pesquisadores ressaltam que restaurar a microbiota pode melhorar a saúde de recifes e de espécies associadas.
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