Durante uma expedição no Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, pesquisadores detectaram micróbios capazes de fotossintetizar na ausência de luz solar. A descoberta ocorreu em uma alcova de uma caverna profunda, longe da trilha turística.
A equipe usou iluminação para revelar um manto verde em uma parede escura, formado por cianobactérias. Testes indicaram que esse grupo utiliza clorofila d e f para converter energia de luz infravermelha próxima em alimento.
Os cientistas destacam que a área já recebeu visitas de até 350 mil pessoas por ano, mas a maior parte permanece desinformada sobre esse achado. O estudo foi feito por Heather Barton e Lars Behrendt, ligados à Universidade do Alabama e à Uppsala University, respectivamente.
Descoberta em Carlsbad
Os pesquisadores observaram que a luz infravermelha próxima, refletida pelo calcário, penetra mais longe nas cavernas do que a luz visível. Em pontos mais profundos, níveis de infravermelho próximo foram 695 vezes maiores que na entrada.
Micro-organismos com clorofilas d e f foram encontrados ao longo de toda a rede de cavernas, especialmente nos lugares mais escuros. A equipe acredita que esses micróbios podem ter permanecido intocados por cerca de 49 milhões de anos.
A pesquisa também avaliou cavernas vizinhas do parque e outras formações marginais. Em cada caso, houve a presença de cianobactérias capazes de fotossintetizar em ambientes sombrios, longe da luz solar direta.
Implicações para a busca por vida
Especialistas argumentam que esses achados ampliam a compreensão de como a fotossíntese pode ocorrer sob luz infravermelha em mundos subterrâneos. A constatação sugere que exoplanetas orbitando estrelas de baixa temperatura podem manter vida com fontes de luz diferentes.
O estudo sublinha que o tipo de estrela influencia a viabilidade de vida. Estrelas muito quentes irradiam mais UV, tornando a vida menos estável, enquanto estrelas mais tardias emitem luz mais próxima ao infravermelho.
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