Uma revisão de estudos científicos alerta para riscos do vírus oropouche, transmitido por insetos, à gestação no Brasil. A análise aponta possibilidade de transmissão vertical da mãe para o feto, com infecção de células placentárias e potenciais danos neurológicos no embrião e no bebê. Casos graves como abortos, anomalias congênitas e óbitos fetais são mencionados, com a doença ganhando maior registro nos estados Rio de Janeiro e Espírito Santo.
A pesquisa destaca que, inicialmente concentrada nas regiões Norte e Nordeste, a febre oropouche mostra hoje maior incidência nesses dois estados. A infecção pode apresentar sintomas semelhantes a outras arboviroses, dificultando o diagnóstico clínico. Dores de cabeça intensas, musculares, náusea e diarreia aparecem como sinais comuns.
Foi sugerida a inclusão do vírus nos protocolos de saúde para diagnóstico diferencial em gestantes, com uso de exames laboratoriais aliados ao histórico epidemiológico. A identificação correta facilita o acompanhamento da gestação, monitorando eventuais complicações fetais e gestacionais e apoiando estratégias de controle do vetor.
Sem antivirais específicos disponíveis, o manejo clínico assume papel central. Um Manual de prevenção, diagnóstico e manejo durante a gravidez, parto e puerpério foi elaborado pela Febrasgo em parceria com o Ministério da Saúde para orientar profissionais. O material integra as ações de vigilância e atendimento a gestantes.
O estudo que embasa as recomendações foi publicado na Revista de Medicina Materno Fetal e Neonatal, envolvendo pesquisadores da USP, UFCSPA e outras instituições brasileiras. Técnicas de análise de tecidos humanos infectados com o vírus ajudam a entender como o vírus pode alcançar o feto.
Pesquisadores destacam que a placenta funciona como barreira, mas o oropouche pode driblar esse mecanismo. Pequenos fragmentos do material genético viral podem facilitar a passagem pelo tecido placentário, conforme investigações em andamento. A equipe busca esclarecer os mecanismos envolvidos nesse processo.
Historicamente isolado no Brasil em 1960, o oropouche circula hoje no ciclo urbano com humanos atuando como reservatório principal. Dados de 2024 indicam 13.801 casos confirmados e duas mortes; até junho de 2025, já havia 11.706 casos. Espirito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará apresentam maior incidência.
Diante do aumento de casos e das evidências de transmissão vertical, o pesquisador enfatiza a necessidade de ampliar vigilância epidemiológica, diagnóstico laboratorial e acompanhamento integrado de gestantes. A integração entre serviços de saúde e capacitação de profissionais é apontada como essencial para reduzir riscos.
Recomendações e próximos passos
O texto defende a inclusão do oropouche nos protocolos clínicos, ações de controle do vetor e fortalecimento da capacitação de equipes multiprofissionais. Tais medidas visam reduzir danos maternos e fetais frente ao cenário atual.
Fontes oficiais citadas incluem o artigo científico citado, o professor Geraldo Duarte e colegas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, além de especialistas da UFCSPA. Contatos de imprensa também são fornecidos para dúvidas técnicas.
Fontes e contatos: Geraldo Duarte, gduarte@fmrp.usp.br; Antonio Braga Filho, bragamed@yahoo.com.br; Regis Kreitchmann, kreitchmannregis@gmail.com; Edward Araújo Junior, araujojred@terra.com.br.
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