Dois capítulos da proteção aos leopardo-dos-nevados ganham destaque em uma região remota no Himachal Pradesh, na Índia. Um grupo de mulheres locais atua ao lado do departamento florestal e de conservacionistas para monitorar e proteger a espécie, conhecida como Shen pela comunidade de Kibber, na região de Spiti.
Quase uma dúzia de moradoras participa do programa, que nasceu com apoio da Nature Conservation Foundation. Elas instalam e monitoram armadilhas fotográficas com identificadores únicos, capturando imagens de leopardo-dos-nevados conforme passam pelos trilhos das montanhas.
A atividade está integrada a um levantamento realizado em 2024, que contabilizou 83 indivíduos no estado, contra 51 em 2021. Os registros, obtidos por câmeras, ajudaram a mapear 43 outras espécies na área de quase 26 mil km².
As mulheres percorrem longas caminhadas em altitudes superiores a 4.300 metros, especialmente no inverno, quando as presas se movem para altitudes mais baixas. O trabalho começa cedo, após as tarefas domésticas, e inclui testes de altura e ângulo das câmeras para capturar imagens nítidas.
Além de coletar dados, as entrevistadas passaram a contribuir com a proteção de rebanhos locais. Elas auxiliam na obtenção de seguros divulgaram pela governo e na promoção de currais à prova de predadores, com rochas ou redes para uso noturno.
As técnicas de identificação individual pelo padrão de rosetas foram destacadas como essenciais para acompanhar cada animal. O programa é realizado com apoio do escritório de Florestas de Spiti e do projeto de Altas Alturas da NCF.
Os resultados da pesquisa já alimentam planos de manejo de habitat e estratégias de conservação na região, que integra a Rede de Biosfera de Desertos Frios reconhecida pela UNESCO. A participação comunitária é vista como componente-chave da sustentabilidade.
Segundo especialistas, a participação dessas mulheres reforça a proteção do leopardo-dos-nevados como parte de um ecossistema frágil do Himalaia. Elas descrevem o aprendizado tecnológico como parte de uma transformação local.
Para as moradoras, o envolvimento no projeto fortalece vínculos com a aldeia, a montanha e a própria identidade. Ações contínuas devem manter o equilíbrio entre conservação e meios de subsistência nas comunidades do Spiti.
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