A pesquisa inédita mostra que os corais-de-fogo brasileiros estão em risco de extinção silenciosa. O branqueamento, efeito do aquecimento global, leva à perda de zooxantelas, as algas que fornecem alimento aos corais. Sem elas, as esculturas de Millepora ficam alvas e frágeis.
O estudo acompanha desde 2019 quatro espécies de Millepora no Brasil, três endêmicas. O monitoramento aponta que o branqueamento avança de forma desigual entre as espécies e locais, com consequências ainda desconhecidas para a biodiversidade local.
Dados-chave da pesquisa
Em Tamandaré (PE), a Millepora braziliensis apresentou branqueamento de 100% na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, com perda total de cobertura viva. O ICMBio classifica essa espécie como criticamente ameaçada de extinção.
Em Porto Seguro (BA), a Millepora nitida, também endêmica, registrou 40% de branqueamento. O quadro indica vulnerabilidade crescente nessa região.
A Millepora alcicornis, presente tanto no Caribe quanto no Brasil, manteve-se mais abundante, acompanhada por estudos anteriores, sugerindo maior resistência inicial frente ao branqueamento.
A Millepora laboreli tem cenário menos claro. Disponível apenas no Parcel do Manuel Luís, no Maranhão, o acesso dificulta estudos profundos. Em 2022, havia poucas colônias; não há dados suficientes para confirmar piora recente.
Perspectivas e impactos
Segundo os pesquisadores, novas ondas de branqueamento podem empurrar estas espécies para a extinção. Os corais-de-fogo ajudam a aumentar a biodiversidade dos recifes e servem de abrigo para outras espécies.
A solução envolve reduzir o aquecimento global e implementar políticas públicas de conservação de recifes, além de pesquisas sobre restauração de habitats. Os resultados ressaltam a necessidade de ações rápidas e coordenadas.
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