O levantamento aponta que represas hidrelétricas no estado do Amazonas reduziram drasticamente a população de peixes em alguns locais, com quedas de até 90%. O estudo foi baseado em pesquisa de campo em parceria com comunidades ribeirinhas.
A construção da usina Santo Antônio, em 2008, interrompeu o fluxo natural do rio Madeira, que passa por Rondônia e Amazonas. Espécies como pirarucu, tambaqui e pirapitinga mostram desaparecimento em comunidades tradicionais.
A pesquisa envolveu mais de 100 pescadores e foi realizada com dados de 2009-2010, antes da conclusão da obra, e 2018-2019, depois. Os pesquisadores observaram alteração nos padrões de captura, com menor frequência de peixes nas épocas habituais.
Impactos locais e desafios para comunidades
Pescadores das comunidades Sossego, Trapicho, Lago do Caiarí e Santa Júlia relatam necessidade de percorrer grandes distâncias em busca de peixes, após a queda das capturas. A redução também afeta a subsistência de famílias e a economia local.
A comunidade Paraíso Grande, em Rondônia, estima prejuízos com gastos com redes, estopa e gelo, sem garantia de retorno financeiro suficiente. O relato é de Maria Delci Barros de Morais, que descreve dificuldades para manter o sustento.
Indígenas da região indicam queda drástica na produtividade: há anos era comum capturar grande quantidade de peixe em pouco tempo, mas hoje a pesca exige mais tempo e retorna menos. Adriano Karipuna descreve a mudança no ritmo de pesca.
Avanços da pesquisa e próximos passos
Igor Lourenço, autor principal do estudo, afirma que a situação pode ter evoluído após o levantamento de 2018-2019. A equipe planeja um sistema contínuo de coleta de dados para monitorar os estoques pesqueiros, em parceria com as comunidades locais.
O estudo ressalta que as hidrelétricas impactam a dinâmica de captura ao alterar períodos e locais de pesca previamente registrados. As evidências sustentam a necessidade de monitoramento e estratégias para mitigar impactos.
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