Foi identificado que a hesitação vacinal é mais comum entre as classes sociais mais altas no Brasil. Pesquisas apontam esse padrão ao analisar comportamentos de vacinação de adultos e de crianças. Especialistas destacam que o acesso à educação não elimina dúvidas sobre imunização.
O estudo conduzido pela socióloga Marcia Couto, professora da Faculdade de Medicina da USP, aponta características específicas dessas famílias: desejo de controlar riscos de saúde, personalização dos cuidados médicos e a ideia de que estilos de vida naturais substituem medidas sanitárias públicas.
Durante a pandemia, a recusa à vacinação ganhou viés político, ampliando a desconfiança institucional e afetando também parcelas da população com menor renda. O contexto de polarização influenciou decisões sobre imunização em diferentes grupos.
Contexto e fatores
A disseminação de desinformação na internet sustenta a hesitação. Entre os mitos mais citados estão a relação entre vacinas e autismo, desmentida há décadas, e o medo de efeitos adversos frente ao benefício da proteção coletiva.
Especialistas ressaltam que o sucesso das vacinas cria paradoxos: pessoas temem mais efeitos colaterais do que a doença; já a imunidade de rebanho requer alta cobertura de cerca de 90% a 95%. A decisão individual não basta para proteção social.
Desdobramentos
Elites com acesso facilitado a cuidados de saúde tendem a acreditar que não precisam se vacinar, mas a eficácia ocorre apenas com imunização ampla da população. A resistência pode comprometer campanhas e metas de saúde pública.
Fontes: estudos sobre vacinação infantil e interseções de raça, classe e gênero; inquérito de cobertura vacinal de 2020. Os trabalhos citados reforçam a importância da proteção coletiva e da confiança institucional.
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