Um circuito cerebral envolvido na atualização de informações pode estar ligado à esquizofrenia, sugere estudo com camundongos. A mutação no gene grin2a reduz a dinâmica de atualização de crenças diante de novas evidências, o que pode explicar parte da perda de contato com a realidade em alguns pacientes.
Contexto genético e objetivo
Pesquisadores identificaram, via sequenciamento de exoma, variantes associadas à esquizofrenia. Entre elas está grin2a, que codifica uma proteína da região NMDA do receptor de glutamato. O estudo compara camundongos com a mutação a controles saudáveis para entender impactos cognitivos.
Resultados do estudo
Em um modelo de decisão com alavancas, ratos saudáveis mudam de estratégia conforme o valor das recompensas muda. Animais com grin2a mantêm a escolha anterior mais tempo, ajustando-se lentamente ao novo cenário. Esse atraso aponta dificuldade de atualizar crenças com novas informações.
Desdobramentos neurobiológicos
A equipe verificou que a mutação impacta principalmente o tálamo mediodorsal, conectado ao córtex pré-frontal. Essa rede tálamo-cortical regula controle executivo e tomada de decisão, e mostra atividade variável conforme o estado exploratório ou de compromisso dos animais.
Potenciais caminhos terapêuticos
Os pesquisadores usaram optogenética para ativar neurônios do tálamo mediodorsal, revertendo aspectos do comportamento nos camundongos mutantes. A intervenção deixou os animais mais parecidos com os controles, sugerindo que tratar esse circuito pode atenuar parte das dificuldades cognitivas da esquizofrenia.
Contexto científico e quais genes estão implicados
Mais de 100 variantes genéticas foram associadas à esquizofrenia em grandes estudos. Mutação grin2a é rara em pacientes, mas o funcionamento desse circuito pode ser uma via comum para prejuízos cognitivos em diferentes etiologias da doença.
Perspectivas de pesquisa e financiamento
Os resultados indicam que a plasticidade de atualização de informações é um alvo relevante. Pesquisas futuras buscam identificadores dentro do circuito que possam ser candidatos a fármacos. O estudo contou com apoio de institutos estadunidenses e centros de pesquisa associados ao MIT e ao Broad Institute.
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