O estudo reconstitui 50 anos após a reintrodução o papel dos tucanos-escarlates (Ramphastos ariel) na floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Durante um ano, pesquisadores monitoraram o comportamento alimentar do pássaro, comparando as plantas consumidas com uma lista de 101 espécies nativas historicamente associadas ao animal.
A equipe percorreu mais de 20 quilômetros diários pela mata, observando hábitos alimentares. Os tucanos interagiram com pelo menos 76% das plantas da lista histórica, particularmente com espécies de sementes médias e grandes, superiores a 6 milímetros.
A presença de tucanos funciona como vetor de dispersão de sementes. Entre as espécies potencialmente beneficiadas estão a palmazinha jussara (Euterpe edulis) e a Virola bicuhyba, ambas classificadas como ameaçadas e com redução significativa de área.
Contexto da reintrodução e importância ecológica
O ariel toucan foi reintroduzido em 1970 por Adelmar Coimbra Filho, que soltou 46 indivíduos no parque. Desde então, os animais permaneceram com monitoramento limitado, até o estudo atual.
Resultados e implicações
Além dos tucanos, outras espécies reintroduzidas incluem cutia-a-pescoço-vermelho e macacos-or quedar. A análise aponta baixa sobreposição de dietas entre as espécies, sugerindo que os tucanos possuem uma unicidade funcional na relação com plantas de sementes maiores.
Perspectivas futuras
A pesquisa aponta que ainda há lacunas sobre quanto os tucanos contribuem para a dispersão de diferentes espécies e para a restauração florestal. A equipe considera o tema um campo em aberto, com necessidade de mais dados e acompanhamento.
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