A Polícia Federal prendeu, em flagrante, a professora Soledad Palameta Miller, da Unicamp, suspeita de furtar material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia. O furto foi identificado em fevereiro, com o desaparecimento de amostras virais em ambiente de alta contenção NB-3. A investigação aponta que parte das amostras estava fora do local autorizado e houve indicação de manipulação irregular.
A professora, que atua no Departamento de Ciência de Alimentos da universidade, foi presa na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP). Ela foi liberada nesta terça-feira (24) mediante liberdade provisória, com imposição de medidas cautelares, incluindo a proibição de acessar laboratórios ligados à investigação e a necessidade de autorização judicial para viagens internacionais.
As apurações indicam que Soledad não possuía laboratório próprio e utilizava espaços emprestados por colegas para manuseio de amostras. Durante a operação da PF, foram encontrados materiais em unidades da Unicamp ligadas ao Laboratório de Virologia Animal, ao Lemeb e a outros setores da instituição. A investigação registra que a pesquisadora teria acessado diferentes laboratórios com auxílio de terceiros.
O inquérito descreve que as amostras virais estavam armazenadas em freezers e, em parte, descartadas em lixeiras com sinais de manipulação. A PF aponta deslocamentos entre laboratórios e armazenamento irregular, em desacordo com normas técnicas e institucionais de biossegurança. As apurações continuam para esclarecer a extensão do acesso indevido e as responsabilidades associadas.
Soledad Palameta Miller é argentina, formada em biotecnologia pela Universidade Nacional de Rosario e doutora em Ciências pela Unicamp, com atuação anterior no CNPEM, em projetos ligados a vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais. A defesa informou que não comentaria o caso em virtude do sigilo legal decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas.
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