A mosca-da-neve Chionea alexandriana desafia o congelamento. Pesquisadores que assinam um estudo publicado em Current Biology em 2026 descrevem estratégias biológicas que a permitem ficar ativa em ambientes gelados. A espécie não recorre à dormência extrema comum entre insetos.
Diferente de muitos insetos, ela não congela nem reduz drasticamente a atividade. O estudo aponta que combina mecanismos bioquímicos e fisiológicos eficientes, incluindo proteínas anticongelantes que impedem cristais de gelo e a geração de calor corporal interno.
Genoma fora do padrão
Ao analisar o material genético, os cientistas encontraram genes com poucos similares em bancos de dados. A hipótese é de evolução altamente especializada, moldada por ambientes extremos ao longo de milênios. Esses genes estão ligados à produção de proteínas anticongelantes.
Esses traços sugerem convergência evolutiva: organismos distintos, como algumas espécies marinhas polares, desenvolvem soluções similares para o frio. A montagem genômica também destaca cromossomos e adaptações relevantes à sobrevivência.
Dupla estratégia de sobrevivência
As proteínas anticongelantes atuam como barreiras que restringem a formação de cristais de gelo nas células. Paralelamente, a mosca-maintém temperatura interna ligeiramente acima do ambiente, um ajuste que evita o congelamento total.
Esse aquecimento não depende de tremores, mas de processos celulares associados à termogênese. O mecanismo evita dor induzida pelo frio e sustenta atividades metabólicas, incluindo reprodução, em condições extremas.
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