O Mount Kenya Wildlife Conservancy (MKWC) está no caminho de receber quatro bongos-montanhos machos de zoológicos europeus. O objetivo é aumentar a população da espécie, entre as mais ameaçadas da África, com apoio de especialistas do Chester Zoo, da Inglaterra, em parceria com a Kenya Wildlife Service (KWS) e a European Association of Zoos and Aquariums.
A operação envolve um programa de reprodução em zoo europeus, coordenado há mais de 11 anos. Os quatro machos selecionados foram escolhidos por idade, estado de saúde e genética, e serão os primeiros a serem transferidos para o Quênia como parte do esforço de rewilding.
A IUCN listou, em 2016, os bongos-da-floresta como criticamente ameaçados, com apenas 70 a 80 indivíduos na natureza, todos no Quênia. Entre 2021 e 2025, a população selvagem recuou de cerca de 150 para 66 animais.
A queda na natureza é atribuída a perda de habitat e caça ilegal, segundo especialistas quenianos. Em contrapartida, os bongos em cativeiro cresceram, de 54 em 2021 para 93 em 2025, com mais 17 indivíduos repatriados dos Estados Unidos.
Conforme a Chester Zoo, após aprovação em rígidos exames de saúde e quarentena, os animais podem ser transportados para o Quênia, onde serão monitorados de perto antes de entrarem no programa de reprodução do MKWC.
Segundo Robert Aruho, chefe da conservação do MKWC, a meta é manter a população sob cuidado constante, com foco no crescimento sustentável e um objetivo nacional de pelo menos 750 indivíduos até 2050, já com mais de 100 animais no programa de cativeiro.
Tecnologia a serviço da conservação
A Chester Zoo afirmou ter trabalhado com parceiros, incluindo a Liverpool John Moores University, para desenvolver o primeiro sistema de detecção com IA para bongos-montanhos, com câmeras que fornecem dados em tempo real sobre comportamento, deslocamento e saúde sem perturbá-los.
Técnicas de reprodução em cativeiro, aliados a iniciativas de reintrodução, prometem alterar o panorama da espécie, segundo especialistas da instituição inglesa. A parceria visa ampliar a eficácia das ações de conservação de longo prazo.
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