Durante uma pesquisa publicada na revista Science nesta semana, cientistas revelaram como o hectocótile, braço especializado do macho de lulas, localiza o órgão reprodutivo da fêmea sem ver. O estudo, realizado com polvo, explica o funcionamento de um sensor químico presente nas ventosas do braço de cópula.
Os pesquisadores mostraram que o hectocótile funciona como um órgão sensorial. Assim como os outros braços, ele é coberto de ventosas com receptores quimotactile, capazes de detectar hormônios presentes na ovidução da fêmea durante o acasalamento.
Descoberta-chave da pesquisa
Foi identificado que a ovidução da fêmea produz a enzima que gera progesterona, hormônio ligado à fertilização. Os receptores no hectocótile permitem que o macho encontre o oviduto, mesmo sem visão direta da parceira.
Os testes mostraram que o braço de acasalamento possui até três vezes mais receptores quimotactile e três vezes mais neurônios do que um braço comum. Amputados, esses braços respondem à progesterona, reforçando o papel sensorial na postura reprodutiva.
Implicações e curiosidades
Os autores, liderados por Nicholas Bellono, da Universidade de Harvard, destacam que o hectocótile acumula funções de detecção e deposição de esperma. O comportamento foi observado mesmo na ausência de luz, indicando que o acasalamento pode ocorrer sem visão.
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