A Ilha das Cobras, também chamada de Ilha de Queimada Grande, fica no litoral sul de São Paulo, a 35 km da costa. O local abriga a segunda maior densidade de cobras peçonhentas do mundo e é restrito a visitas da Marinha e de pesquisadores autorizados. Desde 1985, é tombada como Unidade de Conservação Federal.
Na ilha convivem duas espécies de serpentes. A jararaca-ilhoa, endêmica do território, é considerada criticamente ameaçada pela IUCN e possui adaptações para caça a aves entre os galhos. A cobra dormideira, menor e não venenosa, se alimenta principalmente de lesmas.
Jararaca-ilhoa: a espécie não ocorre em nenhum outro lugar do planeta. Em média, não costuma superar 1 m de comprimento e apresenta cauda alongada e cabeça maior, adaptadas a capturar aves. O veneno pode matar um humano em até seis horas.
Dormideira: há menor densidade na ilha; é noturna e rasteja pelo solo ou vegetação em busca de lesmas. No continente, não é considerada espécie distinta, apenas variação local da cobra. Ambas as cobras convivem com a fauna de aves da ilha.
Segundo o Instituto Butantan, a população total de serpentes na ilha fica em torno de 15 mil. Além delas, a ilha abriga sapo Scinax peixotoi, barata silvestre, gafanhoto-azul e a ave atobá-pardo, que forma ninhos em locais de difícil acesso. A diversidade total pode ultrapassar 60 espécies.
A ilha ficou conhecida pelo nome devido a queimadas históricas realizadas por marinheiros e trabalhadores no início do século XX. Incêndios eram avistados do continente, o que deu origem ao apelido. Hoje, a Marinha ainda atua na manutenção do farol, mas não realiza queimadas.
Espécies em cativeiro: há exemplares de jararaca-ilhoa mantidos em instituições do Rio de Janeiro e de São Paulo. Eles servem como salvaguarda para eventual repovoamento, com monitoramento genético e reprodutivo ativo.
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