Dormir mal pode provocar alterações no intestino, segundo pesquisa publicada na Cell Stem Cell em 2026. O estudo, liderado por Zhang M. e colegas, demonstra que poucas noites sem sono já afetam células-chave da saúde intestinal.
Os pesquisadores identificaram um elo entre cérebro e intestino por meio do nervo vago. Com a privação de sono, o canal de comunicação envia sinais desregulados que desequilibram o funcionamento intestinal.
Entre os achados, destacam-se as células-tronco intestinais, responsáveis pela renovação do revestimento. A privação de sono reduz o contingente dessas células, diminui a capacidade de regeneração e aumenta o estresse oxidativo no intestino.
Conexão cérebro-intestino
A equipe também observou que a serotonina no intestino aumenta após a privação de sono. Níveis elevados podem alterar a motilidade e elevar o risco de doença inflamatória intestinal, além de dificultar a regulação digestiva.
O estudo aponta que a produção excessiva de serotonina é estimulada pelo nervo vago, com a participação de acetilcolina. Em modelos experimentais, interromper esse canal mitigou os efeitos negativos no intestino.
Implicações para a saúde
Os autores destacam que o sono não afeta apenas o humor, mas o equilíbrio de todo o organismo. A longo prazo, a privação pode associar-se a doenças inflamatórias intestinais, distúrbios digestivos crônicos e alterações metabólicas.
A pesquisa sugere que estratégias para melhorar a qualidade do sono podem ter impacto direto na saúde intestinal. A descoberta amplia a compreensão sobre os efeitos sistêmicos da privação de sono e reforça a importância de hábitos adequados.
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