A Anvisa aprovou o uso do Mounjaro (tirzepatida) para tratamento de diabetes tipo 2 em pacientes com idade entre 10 e 17 anos. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, 22, e amplia a indicação já existente para adultos, que também englobava obesidade e apneia do sono.
A aprovação baseou-se em um estudo publicado em setembro de 2025 na The Lancet, com jovens de 10 a 17 anos. O ensaio mostrou redução da hemoglobina glicada em 30 semanas e baixa taxa de descontinuação por efeitos adversos gastrointestinais.
No Brasil, outros medicamentos já usados para diabetes tipo 2 em crianças são Victoza, Lirux, Saxenda, Olire, Wegovy e Poviztra, com faixas etárias variando entre 10 e 12 anos, conforme o fabricante.
Contexto clínico e dados de uso
Dados do SNGPC, obtidos pela Folha, indicam que, em janeiro de 2026, foram vendidas 3.385 caixas de analgados GLP-1 para crianças e adolescentes até 18 anos, entre milhares de caixas vendidas no total. A distribuição mostra acesso ainda restrito a esse grupo.
Ao todo, o mercado de GLP-1 envolve uso fora da faixa etária indicada, com 2.542 caixas vendidas para pessoas acima de idade não recomendada; o Mounjaro respondeu por 1.240 dessas vendas no mesmo período.
Implicações e cautelas
O diagnóstico de diabetes tipo 2 em menores pode estar relacionado à obesidade infantil, que afeta uma parcela significativa da população. A aprovação para Mounjaro restringe-se ao diabetes tipo 2, sem indicação de uso para controle de peso em menores. A Eli Lilly não incentiva uso off-label.
Preocupações também envolvem possível impacto hormonal, com efeitos sobre digestão, hormônios, menstruação e osteoporose. O monitoramento clínico é enfatizado para acompanhar crescimento, desenvolvimento hormonal e resposta ao tratamento.
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