A parceria entre caçadores de bagan e biólogos marinhos resultou em um estudo satélite de 10 anos sobre tubarões-baleia. Mais de 70 indivíduos foram monitorados entre 2015 e 2025, revelando rotas, áreas de alimentação e um berçário de tubarões-baleia.
O projeto, conduzido pela Konservasi International e pelo Elasmobranch Institute Indonesia, utilizou tags orbitais fixados nas nadadeiras para coletar dados de até três anos por animal. O mega estudo é um dos maiores conjuntos de dados do mundo sobre a espécie.
A pesquisa ocorreu em várias áreas da Indo-Pacífico, incluindo Cenderawasih Bay e Kaimana, em West Papua, Saleh Bay em Sumbawa e o Golfo de Tomini em Sulawesi. O objetivo é mapear caminhos migratórios e habitats críticos para proteção.
Avanços e impactos
Os dados ajudaram a identificar áreas de forrageamento associadas a relevos submarinos e zonas de proteção, com foco na preservação de nurérios e nas zonas sem pesca. As informações também apontaram padrões sazonais de deslocamento.
As autoridades indianas? Na Indonésia, as evidências embasaram a criação de uma área marinha protegida baseada em tubarões-baleia no Saleh Bay neste ano. A zonificação inclui habitats críticos e zonas de proteção de manguezais.
Há cuidado com o bem-estar animal durante a captura e colocação dos tags. Estudos indicaram que não houve diferença significativa no estresse metabólico entre antes e depois da marcação, segundo pesquisadores envolvidos.
Perspectivas e cautelas
Especialistas destacam o valor do monitoramento de longo prazo para entender hábitos sazonais, como deslocamentos anuais entre áreas de pesca e corredores de alimento. Esses padrões ajudam a planejar medidas de conservação mais assertivas.
Há também preocupações sobre a expansão da atividade de bagan, que pode afetar a disponibilidade de alimento para os tubarões-baleia caso a pressão de pesca aumente. A discussão envolve equilíbrio entre benefícios da pesquisa e impactos ambientais.
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