O Google Chrome passou a utilizar um modelo de IA de 4 GB no dispositivo do usuário sem aviso explícito, identificado pela pasta OptGuideOnDeviceModel com o arquivo weights.bin. O objetivo é alimentar recursos de IA no navegador, como sugestões de e-mail, detecção de golpes e agrupamento de guias.
A descoberta ocorreu durante uma auditoria automatizada de um perfil novo do Chrome pelo pesquisador Alexander Hanff. No macOS, o processo mostrou o Chrome criando um diretório temporário, baixando componentes do modelo e gravando o arquivo weights.bin. O ciclo completo levou cerca de 15 minutos, sem notificações.
A confirmação foi publicada para Windows 11, Macs com Apple Silicon e Ubuntu, estendendo-se a vários usuários com picos de armazenamento não explicados. O arquivo fica em locais como %LOCALAPPDATA%GoogleChromeUser DataOptGuideOnDeviceModelweights.bin no Windows, ou no diretório correspondente no macOS e Linux.
O que acontece na prática e como excluir
Excluir a pasta não impede a reinstalação na reinicialização. O Chrome restaura o componente automaticamente, a menos que o usuário desative o recurso. Opções de desativação ficam em chrome://flags, Configurações > Sistema (IA no dispositivo) ou no registro do Windows, com a opção OptimizationGuideModel desativada.
Para evitar que o recurso reative o modelo, é possível desativar também a função pela barra de endereço, caso a interface permita, ou removê-la pelas configurações de sistema. Mesmo assim, alguns recursos que dependem do modelo podem ficar indisponíveis caso o modelo seja removido.
O Modo IA, apresentado recentemente na barra de endereços, utiliza consultas para servidores da nuvem do Google, mesmo com o modelo local existente. Assim, o funcionamento principal não depende do processamento local do Gemini Nano. A confirmação oficial indica que o modelo local não fica em uso para todas as operações.
Aspectos legais e respostas oficiais
Alguns pesquisadores sustentam que o Google pode violar a privacidade conforme normas da UE, citando Artigo 5(3) da Directiva ePrivacy e artigos do GDPR sobre transparência e consentimento. A defesa da empresa cita que o Chrome pode baixar modelos em segundo plano para melhorar recursos do navegador e que o usuário pode desativar/remover o modelo.
A empresa informou que, desde fevereiro, é possível desativar e remover o modelo nas configurações do Chrome, suspendendo downloads e atualizações subsequentes. Não foi detalhado por que não houve consentimento prévio antes da implementação.
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