A juíza Mariana Francisco Ferreira morreu na quarta-feira (6) após um procedimento de coleta de óvulos em Mogi das Cruzes (SP). Ela tinha 34 anos e o caso é investigado pela Polícia Civil. Não foi a primeira paciente a falecer: em fevereiro, a terapeuta Gabriele Martins, de 31 anos, também morreu em circunstâncias semelhantes em São Paulo. As informações repercutem entre pacientes que passam pelo congelamento de óvulos, técnica usada para preservação da fertilidade e para fertilização in vitro.
O congelamento de óvulos começou a ser utilizado para quem enfrenta tratamentos oncológicos e, com o tempo, passou a ser opção para quem deseja adiar a maternidade sem perder qualidade genética. O processo envolve hormonios para estimular a produção de múltiplos óvulos, acompanhamento por ultrassom, uma etapa cirúrgica de punção ovariana e, por fim, a vitrificação em nitrogênio líquido.
A principal preocupação inicial é a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO), que ocorre quando os hormônios provocam resposta excessiva dos ovários, levando a aumento de tamanho, acúmulo de líquido e risco de complicações renais e de coagulação. De acordo com guidelines, casos graves são raros hoje, com protocolo para reduzir a resposta quando há muitos folículos.
Outra complicação possível é a torção do ovário, causada pelo aumento abrupto do tamanho do órgão durante a estimulação. A torção pode interromper a circulação sanguínea, exigindo cirurgia de emergência, embora em muitos diagnósticos haja preservação do ovário com tratamento rápido.
Durante a cirurgia de coleta, o risco mais grave é o sangramento, pois a pelve é muito vascularizada. Pequenos sangramentos podem ocorrer, mas costumam não trazer preocupação. Em situações raras, o sangue pode se acumular e formar um hematoma que requer intervenção adicional.
Além desses riscos, a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida cita possibilidades de tromboembolismo, infecções e intercorrências anestésicas, incluindo reações ao sedativo utilizado. Em resposta aos deux casos recentes, cinco entidades médicas brasileiras destacaram que a mortalidade associada a tratamentos de fertilização é inferior a 1 por 100 mil ciclos, com avanços nos protocolos de estimulação.
Os médicos ressaltam que o procedimento, quando realizado em centros especializados, apresenta risco baixo. A necessidade de monitoramento rigoroso e diagnóstico precoce é enfatizada para reduzir complicações durante as fases de estimulação e de punção ovariana.
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