Em Benim, no litoral da África Ocidental, as manguezais têm ganhado proteção de forma tradicional, segundo a crença Vodun. A divindade Zangbéto é apontada como guardiã dos bosques de mangue, proibindo a derrubada de madeira sob pena de maldição. Nos últimos 10 anos, mais de 500 hectares de manguezais foram preservados graças a esse manejo espiritual.
A reportagem acompanhou, de Cotonou, capital econômica, até Dado, centro de devoção Vodun nas margens da região, uma imersão nos rituais que ajudam a conservar ecossistemas frágeis. A experiência envolve encontros com lideranças locais e estudiosos, além de disputas e acordos entre comunidades e autoridades.
A equipe entrevistou uma variedade de pessoas, incluindo uma Rainha-mãe Vodun, um sacerdote Fâ, iniciados, ativistas ambientais e um representante do governo. Os relatos destacam a integração entre práticas culturais e ações de conservação, em consonância com diretrizes internacionais sobre conhecimento tradicional.
Contexto global
Organizações climáticas internacionais reconhecem desde conferências da ONU até relatórios do IPCC o papel central do conhecimento indígena na proteção da biodiversidade e na adaptação às mudanças climáticas. No Benim, a tradição Vodun é apresentada como componente significativo dessa abordagem local.
O que acontece na prática
Segundo relatos locais, a proibição de corte de madeira não é apenas ritual, mas envolve monitoramento comunitário e participação de jovens na vigilância dos manguezais. Ao longo de uma década, a participação coletiva tem contribuído para a manutenção de áreas que são vitais para a proteção costeira, pesca e captura de carbono.
Quem está envolvido
Lideranças Vodun, autoridades locais e ativistas ambientais trabalham em conjunto para manter a proteção. A presença de representantes do governo sugere uma integração entre políticas públicas e práticas tradicionais, com foco na conservação de ecossistemas costeiros.
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