Para jovens adultos, especialmente mulheres, aplicativos de namoro podem afetar a percepção do próprio corpo. Um estudo da Universidade de Adelaide, na Austrália, aponta que a ênfase na aparência aumenta a vulnerabilidade à rejeição estética e pode levar à adoção de procedimentos para modificação corporal. O trabalho foi publicado no Journal of Social and Personal Relationships.
A pesquisa entrevistou 118 pessoas de 18 a 34 anos, que passam cerca de 44 minutos diários usando esses apps e enviando mensagens. Entre os programas mais usados, destacam-se várias plataformas, com o Hinge entre as mais populares. Os resultados indicam impactos diferentes entre os gêneros, com maior influência sobre as mulheres.
Segundo os pesquisadores, a autoestima está fortemente ligada à validação obtida por meio de matches e respostas positivas. Esse ciclo de curtidas pode levar à pressão para se adequar a padrões estéticos, impulsionando pensamentos de alterações na aparência e até procedimentos. Já os homens mostram relação maior com a intensidade de uso do que com a validação direta.
Impacto na autoconfiança
Para mulheres, a percepção de popularidade no aplicativo está associada à autoconfiança corporal. A rejeição baseada na aparência aumenta a propensão a recorrer a cirurgias plásticas ou a práticas de controle de peso, como uso de dietas restritivas ou substâncias para emagrecimento sem acompanhamento. A pressão ocorre em um contexto de padrões visuais frequentes.
Os homens, por sua vez, relatam menor cobrança por padrões rígidos de beleza, mas a intensidade de uso eleva a pressão sobre a aparência. Especialistas ressaltam que apps funcionam como espelho da imagem corporal, reforçando padrões muitas vezes inatingíveis e contribuindo para quedas de autoestima em casos de rejeição.
Além disso, o estudo anterior, também australiano, indicou que quase metade das mulheres entrevistadas já havia usado um aplicativo de namoro nos últimos dois anos, e cerca de 20% relatou ter passado por pelo menos um procedimento estético. Autoras destacam que a natureza visual dos apps intensifica a pressão por uma apresentação idealizada.
Caminhos para o uso saudável
Especialistas defendem alfabetização midiática como ferramenta para navegar com segurança nesses ambientes. Estabelecer limites de tempo, priorizar relações reais e manter o autoconhecimento são estratégias recomendadas para evitar que a validação virtual determine a autoimagem. Profissionais ressaltam a importância de reconhecer que a rejeição online não define o valor pessoal.
A psicóloga Regina Vera Dias Sautchuck aponta sinais de alerta: preocupação excessiva com a imagem, necessidade constante de validação e queda na autoestima após o uso. Em ondas de feedback contínuo, é crucial fortalecer identidades além da aparência, como habilidades, valores e relações fora do ambiente digital. Em alguns casos, apoio psicológico pode auxiliar na ressignificação dessas experiências.
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