O envelhecimento do sistema imunológico difere entre homens e mulheres, segundo uma pesquisa publicada na Nature Aging. O estudo avaliou mais de 1 milhão de células sanguíneas de 982 adultos, com idades entre 19 e 97 anos, para entender como idade e sexo influenciam a defesa do organismo. Os resultados são preliminares e requerem confirmação.
A liderança do trabalho é de Marta Mélé, do Centro de Supercomputação de Barcelona, e envolve outros especialistas. O estudo analisou células e programas moleculares para entender as trajetórias inflamatórias associadas ao envelhecimento em cada sexo. Vários integrantes não assinaram a pesquisa, mas contribuíram com expertises complementares.
Para mulheres, a conclusão aponta maior remodeling do sistema imune com a idade. Essa remodelação envolve ampla expansão de marcadores inflamatórios, o que pode favorecer respostas mais intensas a infecções, porém com indícios de predisposição a doenças autoimunes. A hipótese central é que o envelhecimento empurra trajetórias inflamatórias mais pronunciadas.
Entre homens, as mudanças são mais discretas. Houve menos alterações no conjunto imune ao envelhecer, ainda que observações como expansão de células B existam e exijam cautela. Pesquisadores ressaltam que esses indícios precisam de evidência adicional por meio de testes laboratoriais.
A equipe ressalva que não se pode inferir melhoria da imunidade em mulheres. A interpretação é de que o envelhecimento pode intensificar caminhos inflamatórios e autoimunes, requerendo mais estudos para confirmar relações com doenças femininas.
Especialistas externos, como Moisés Evandro Bauer da PUC-RS, destacam que as evidências são preliminares. Em sua leitura, testes adicionais, além de análises genéticas, são necessários para esclarecer ligações entre mudanças imunológicas e doenças autoimunes ou cancerígenas em cada sexo.
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