Dois estudos internacionais revelam que as fezes de baleias contêm ferro em concentrações extraordinariamente altas, o que ajuda a fertilizar o fitoplâncton e, por consequência, o ciclo de carbono dos oceanos. A pesquisa envolve baleias misticetas que retornam à superfície para defecar após mergulhos de alimentação, ativando um efeito de bomba natural de nutrientes.
O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Washington, mede pela primeira vez as formas químicas do ferro e do cobre nas fezes de baleias. Amostras de baleias-jubarte e baleias-azuis foram coletadas de forma opportunista durante expedições de cetáceos no Pacífico e no Antártico.
As amostras mostraram ferro dissolvido em concentrações muito acima da água ao redor. Em média, as fezes continham 145,9 mg de ferro por kg, cerca de dez milhões de vezes mais do que a água do oceano, conforme a instituição.
As análises identificaram ligantes orgânicos que mantêm o ferro biodisponível, além de quarenta e sete tipos de cobre com alta afinidade por ligantes. Esses componentes tornam o ferro e o cobre acessíveis ao fitoplâncton, mesmo após diluição no oceano.
O conceito da “bomba baleia” descreve esse ciclo: baleias mergulham para se alimentar, sobem à superfície, defecam na zona de fotossíntese e promovem a multiplicação do fitoplânton. O aumento do fitoplâncton favorece a captura de CO₂ e sustenta a cadeia alimentar marinha.
O Antártico é uma região onde o ferro é o nutriente limitante para o crescimento do fitoplâncton, tornando as fezes das baleias um aporte crucial. Em estudos de divulgação, o mecanismo é ilustrado como jardineiras do oceano, que promovem fertilização natural.
A caça comercial que dizimou baleias nos séculos passados reduziu o ciclo de fertilização em mais de 90% na região, e a biomassa de krill caiu. A perda de baleias enfraqueceu a base da cadeia alimentar e o desempenho do ecossistema marinho.
Pesquisas associadas indicam que o fitoplâncton fertilizado por baleias, ao absorver CO₂, pode exportar carbono para o fundo oceânico. Estimativas apontam que baleias-cachalote do Antártico aumentam a exportação de carbono em centenas de milhares de toneladas anuais.
A recuperação das populações de baleias surge como uma intervenção natural para restaurar a produtividade oceânica e ampliar a capacidade de absorção de carbono. O novo conjunto de evidências químicas corrobora o papel das baleias na dinâmica climática global.
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