O hantavírus volta a ganhar destaque internacional após a morte de três passageiros a bordo do navio MV Hondius, que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. A investigação aponta possível transmissão anterior ao embarque, mas ainda não há confirmação definitiva.
Casos históricos na Patagônia demonstraram pela primeira vez a transmissão de pessoa para pessoa, algo até então conhecido apenas pela relação com roedores. Um surto recente na região mantém o vírus sob escrutínio científico.
Entre julho do ano passado e junho deste, a Argentina registrou 101 casos de hantavírus e 32 mortes. Em temporadas anteriores, os totais foram menores, como 64 casos e 14 mortes em 2024-25.
Contexto científico
Especialistas argentinos ressaltam que o aumento pode estar relacionado a mudanças climáticas que alteram o comportamento de roedores. Uma seca seguida de chuvas intensas gerou maior cobertura vegetal e alimento para as pragas, elevando o risco de contaminação.
Segundo um pesquisador, a Argentina enfrenta a maior soma de casos na América do Sul, principalmente pela clima instável e desequilíbrios ecológicos. A transmissão entre humanos continua considerada incomum pelo Observatório de Saúde.
O Ministério da Saúde argentino planeja capturar roedores ao longo da rota inicial dos infectados para entender o ponto de contágio. Os viajantes que apresentaram sintomas embarcaram em Ushuaia no final de novembro.
Perspectivas e contexto global
A Organização Mundial da Saúde mantém o alerta de que o risco para a população em geral é baixo e que a transmissão entre pessoas não ocorre facilmente. Ainda assim, a análise busca esclarecer como ocorreu o possível contágio.
Especialistas lembram que o hantavírus tem variações regionais de gravidade. Na América, a taxa de mortalidade pode chegar a 50%, contrastando com sinais mais baixos em outras regiões do mundo.
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