Dois ares de ruído marinho se cruzam no estreito de Gibraltar: o tráfego intenso de navios aumenta o ruído subaquático, dificultando a comunicação de baleias-piloto de alleta longa. Pesquisadores revelam que, diante dessa poluição sonora, esses cetáceos precisam gritar mais para localizar o grupo.
A pesquisa acompanhou 23 baleias ao longo de três anos. Gravadores fixados nas costas registraram movimentos, profundidades e o ruído subaquático, com 1.432 vocalizações analisadas em laboratório para entender o que cada som significava.
No Atlântico para o Mediterrâneo, o estreito recebe mais de 60 mil navios por ano. A área abriga uma população estimada de 250 baleias-piloto de alleta longa, espécie considerada ameaçada de extinção. A combinação de tráfego intenso e variações de ruído impõe riscos à cadeia de comunicação.
Resultados e implicações
Os sons de baixa frequência e os de dois componentes atingem maiores distâncias e são cruciais para reunir o grupo após mergulhos. Porém, quando o ruído de fundo sobe, as baleias elevam o volume de alguns chamados apenas até certo limite, já atingindo o teto para gravações de baixa frequência.
Como consequência, a comunicação entre indivíduos fica prejudicada. Chamadas mais suaves, usadas para encontros entre membros distantes, podem não ser percebidas acima do ronco de motores, o que complica a localização de parceiros e filhotes na rota de navegação.
Os autores destacam que a vulnerabilidade da população já é grave. Em áreas tão congestionadas, a possibilidade de reunião entre grupos distintos para reprodução pode diminuir, elevando o risco de extinção da espécie na região.
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