A descoberta brasileira pode alterar o manejo do percevejo-marrom na soja. Pesquisadores do INCT NanoAgro, ligado à Unesp, identificaram o uso inédito da bactéria Bacillus altitudinis para controlar esse inseto, considerado uma das principais pragas da lavoura brasileira. As perdas com o percevejo somam cerca de R$ 12 bilhões na última safra, segundo a Embrapa.
O estudo mostra que a bactéria atua por contato tarsal, ou seja, pelas patas do inseto, diferente dos métodos convencionais que dependem da ingestão. O percevejo-marrom costuma sugar o grão, dificultando a eficácia de muitos biológicos existentes. A novidade pode elevar o controle, com potenciais ganhos econômicos para produtores.
O INCT NanoAgro reúne pesquisadores de várias áreas e atua no desenvolvimento de nanotecnologia para agricultura sustentável. O projeto é coordenado por Leonardo Fraceto, da Unesp de Sorocaba, com participação de Ricardo Polanczyk, também da Unesp, e tem foco em transformar ciência em soluções aplicáveis ao campo.
Além do efeito direto da bactéria, os estudos indicam que a eficiência em laboratório pode chegar a quase 80% de mortalidade do percevejo, em comparação com 30%-40% de muitos químicos atuais. Isso desperta interesse de empresas do setor em avaliar a viabilidade comercial.
A projeção é de que, com avanços em formulação e estabilização, o produto possa chegar ao mercado em três a seis anos. O desafio inclui manter a viabilidade do microrganismo em condições de campo, com altas temperaturas, além de desenvolver sistemas de liberação controlada e encapsulamentos.
Mercado global de biológicos segue em expansão, superando US$ 13 bilhões. No Brasil, o segmento movimentou mais de R$ 6,2 bilhões em 2025, com área tratada próxima de 194 milhões de hectares, segundo dados de mercado. O potencial da solução brasileira é visto como parte dessa tendência.
A expectativa é que parcerias com empresas industriais acelerem a passagem da pesquisa para o produto. A equipe ressalta a importância de transferir a inovação para o setor produtivo, buscando impacto real na produtividade e na sustentabilidade da lavoura.
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