Um estudo do físico e cosmólogo brasileiro Marcelo de Oliveira Souza ganhou ampla repercussão internacional após sugerir uma rota orbital para levar humanos a Marte em menos tempo do que o previsto. A pesquisa, publicada em 18 de abril na revista Acta Astronautica, ganhou cobertura em mais de 50 países entre final de abril e início de maio. Diversos veículos internacionais divulgaram a ideia.
Segundo o artigo, dados orbitais do asteroide 2001 CA21 podem indicar trajetórias mais rápidas entre a Terra e Marte. A análise aponta três períodos de oposição planetária a serem avaliados: 2027, 2029 e 2031, com a janela de 2031 recebendo maior expectativa entre especialistas.
Cenário espacial de 2031
Caso haja uma viagem nessa janela, a trajetória até Marte poderia durar entre 33 e 56 dias, com o retorno somando ao todo entre 153 e 226 dias. O estudo ressalta que o plano usa um modelo geométrico de oposição para destacar corredores de transferência rápida.
Entretanto, o texto técnico destaca um obstáculo: as velocidades de partida necessárias seriam próximas de 32,5 km/s e a chegada a Marte ficaria em cerca de 108 mil km/h, números considerados extremos para as tecnologias atuais de pouso.
Limites e perspectivas
Caso foguetes de próxima geração alcancem tais capacidades, o estudo pode influenciar a exploração de Marte. Não há, porém, confirmação de envio de tripulação em 2031; o conceito permanece teórico e sujeito a avanços tecnológicos.
Quem é o cientista
Marcelo de Oliveira Souza é doutor em Cosmologia pela UFRJ e professor da UENF. Preside o Clube de Astronomia Louis Cruls, que completou 30 anos e trouxe ao Brasil o astronauta Buzz Aldrin para palestra.
Souza também é reconhecido como o primeiro brasileiro premiado pela Dark Sky International, dedicada à preservação do céu noturno. A repercussão internacional envolve veículos como CNN Indonésia, The Independent, National Geographic Espanha e mídias chinesas.
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