Um grupo de pesquisadores identificou um cristal improvável nos resíduos do primeiro teste nuclear da história. O achado ocorreu em fragmentos da trinitita, material vítreo formado durante a experiência.
A equipe foi liderada pelo geólogo Luca Bindi e o estudo foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences. Os autores destacam que as condições extremas criadas pela explosão favoreceram estruturas raras.
O teste Trinity aconteceu em 16 de julho de 1945, no deserto Jornada del Muerto, no Novo México. O dispositivo de plutônio, apelidado de Gadget, liberou energia equivalente a 21 quilotons de TNT.
A explosão atingiu temperaturas acima de 1500 °C e gerou pressões intensas em frações de segundo. Materiais da torre, fios de cobre, instrumentos, asfalto e areia foram vaporizados e fundidos.
Como resultado, formou-se a trinitita, já estudada desde o pós-guerra, mas com novas características reveladas oito décadas depois. O estudo aponta que a trinitita pode abrigar estruturas cristalinas incomuns.
Estrutura rara chamou atenção
Dentro da versão avermelhada da trinitita, os cientistas identificaram um clatrato inorgânico, uma espécie de cristal com “gaiolas” que prendem átomos no interior. É o primeiro clatrato confirmado cristalograficamente em resíduos de explosão nuclear.
Em 2021, a mesma equipe detectou um quasicristal na trinitita. A nova descoberta amplia a evidência de que eventos extremos podem criar materiais até então desconhecidos pela ciência.
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