Foi publicada na revista Nature uma pesquisa que examina como a divisão de trabalho surge em grupos. O estudo analisa por que alguns membros exploram o esforço alheio, enquanto outros trabalham para obter recursos. Os experimentos foram conduzidos por Philippe Faure, diretor do Laboratório de Plasticidade do Cérebro do CNRS, em Paris.
A pesquisa utilizou camundongos geneticamente idênticos, criados no biorreto da ESPCI. Em gaiolas com três animais, houve pressão para liberar ração por meio de uma alavanca. Resultados mostraram papéis distintos: produtores, exploradores e acumuladores, que se formam durante as interações, não sendo pré-determinados.
Para entender a neurobiologia, os pesquisadores monitoraram a atividade dopaminérgica. Em camundongos trabalhadores, o circuito dopaminérgico reage ao ato de acionar a alavanca. Em exploradores, o pico ocorre ao consumir ou ao observar os demais pressionarem a alavanca.
Machos competitivos, fêmeas cooperativas
Entre grupos formados apenas por machos, observou-se uma organização mais competitiva, com papéis complementares. Já entre fêmeas, predomina cooperação e distribuição de atividades. Algumas fêmeas acumulam e recuperam comida de forma constante.
As trajetórias de comportamento aparecem estáveis, mas podem se alterar quando há excedente de exploradores. Em experimentos, três exploradores na mesma gaiola geraram instabilidade, exigindo trabalho de alguém para obter alimento.
O estudo também testou diferentes configurações de grupo. A divisão de papéis depende do histórico, do ambiente e da companhia, não sendo fixa ou determinada desde o início. Em outra etapa, os pesquisadores aumentaram a atividade dopaminérgica em machos antes da colocação na gaiola, o que os tornou mais cooperativos.
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