Baleias-piloto no Estreito de Gibraltar elevam o tom para tentar se comunicar entre o ruído intenso das embarcações, mas o esforço pode não bastar para superar a poluição sonora na região, aponta estudo recente publicado na Journal of Experimental Biology.
A pesquisa envolve globicephala melas, também conhecidas como baleias-piloto, que vivem em grupos sociais e se expressam por cliques, assobios e vocalizações. O Estreito de Gibraltar recebe mais de 60 mil navios por ano, gerando ruído elevado.
O estudo, realizado por cientistas da Universidade de Aarhus (Dinamarca) em colaboração com instituições da Espanha, Portugal, Reino Unido e EUA, monitorou 23 animais entre 2012 e 2015 usando tags gravadoras. Foram analisadas 1.336 vocalizações de 18 baleias.
Os pesquisadores mediram ruídos de 79 a 144 decibéis no tráfego marítimo, comparáveis a ambientes variados, e registraram que as baleias emitem sons entre 94 e 160 decibéis. Mesmo com aumento de volume, nem todas as vocalizações superam o ruído.
Observou-se que apenas vocais de alta frequência e pulsos curtos aumentaram o volume, enquanto sons de baixa frequência e vocais de dois componentes não mudaram. Esses últimos são cruciais para a localização de membros do grupo após mergulhos.
O consórcio conclui que as baleias já parecem gritar ao máximo para manter a comunicação. Frants H. Jensen, da Universidade de Aarhus, alerta que o ruído reduz o alcance efetivo da comunicação, exigindo maior proximidade entre os indivíduos.
A Discover reforça que as baleias vocalizam com menos frequência em momentos de maior ruído dos navios. Sem datos suficientes, os cientistas sugerem que o comportamento pode incluir evitar emitir sons em ruídos extremos.
Segundo os autores, entender melhor as consequências ecológicas desse fenômeno é essencial para reduzir os impactos da poluição sonora na comunicação dessas baleias-piloto.
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