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Marcos Lisboa entrevista Maria Paula Curado sobre diagnóstico do câncer

Pesquisadora destaca relação menos ditatorial entre médico e paciente e a necessidade de aperfeiçoar bases de dados de câncer no Brasil

Marcos Lisboa entrevista a pesquisadora Maria Paula Curado no programa 'Desenquadrando' da TV Folha
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Marcos Lisboa, economista e colunista da Folha, entrevistou Maria Paula Curado, pesquisadora e chefe da área de epidemiologia e estatística em câncer do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. A conversa integra o terceiro episódio do programa Desenquadrando, disponível no canal da TV Folha no YouTube.

Curado recounta a experiência de início de carreira em Goiânia, nos anos 1980, quando, após se especializar em cirurgias de cabeça e pescoço, percebeu que muitas operações não garantiam a cura. Na época, passou a organizar uma base de dados local sobre a incidência de câncer na capital goiana, abrindo caminho para a epidemiologia.

Durante o diálogo, foram debatidos dados sobre a alta incidência de câncer de boca no Brasil e a diminuição global de casos de câncer gástrico, ainda com mortalidade relevante. A pesquisadora ressaltou que fatores de prevenção passam por hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, exercício físico e convivência social.

Perspectivas de tratamento e relação médico-paciente

Curado criticou a comunicação entre médicos e pacientes, relatando que, em sua experiência clínica, o paciente costuma não ser ouvido adequadamente. Ela defende uma relação menos hierárquica, com o paciente participando das escolhas sobre o tratamento.

A especialista destacou que explicar os aspectos da doença não é tão difícil e reforçou a necessidade de diálogo claro sobre riscos e decisões. Ela enfatizou a importância de respeitar o papel ativo do paciente no cuidado.

Dados nacionais e melhoria de bases clínicas

Ao falar sobre bases de dados, Curado elogiou os Registros Hospitalares de Câncer, obrigatórios para hospitais públicos, reconhecendo avanços. Contudo, apontou desafios que ainda demandam aperfeiçoamento para ampliar a qualidade da vigilância epidemiológica no país.

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