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Microplásticos no ar podem intensificar o aquecimento global, aponta estudo

Estudo indica microplásticos na atmosfera absorver calor e agravar o aquecimento global, com maior impacto em plásticos pretos e nanoplásticos

Mão aberta com fragmentos coloridos de plástico rosa, azul e preto espalhados sobre a palma e os dedos, em fundo escuro
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O estudo publicado na revista Nature Climate Change aponta que micro e nanoplásticos suspensos na atmosfera absorvem calor e contribuem para o aquecimento global. Embora o efeito seja menor que o CO₂ ou a fuligem, ele pode superar estimativas anteriores em algumas regiões.

Pesquisadores explicam que microplásticos são fragmentos com menos de 5 milímetros e nanoplásticos com menos de 1 micrômetro. Eles se formam pela degradação de pneus, roupas sintéticas, embalagens e outros itens plásticos que se acumulam no ambiente.

Parte significativa dessas partículas é carregada pelo vento e pode viajar pelo planeta, alcançando áreas remotas do Ártico, da Antártida e regiões oceânicas distantes de grandes centros urbanos. O estudo procurou entender se elas apenas flutuam ou também alteram o clima.

Como o estudo foi feito

Experimentos de laboratório testaram a interação de plásticos com a luz solar, avaliando absorção e reflexão para cores, tamanhos e composições diferentes. Partículas escuras absorvem mais energia, aumentando o aquecimento do ar ao redor.

Os nanoplásticos mostraram maior eficiência na absorção e na dispersão de luz, mantendo-se suspensos por mais tempo. Dados experimentais foram inseridos em modelos atmosféricos para estimar o impacto climático.

O resultado final indica um aquecimento de cerca de 0,039 watt por metro quadrado, cifra relativamente pequena frente aos mais de 2 watts por metro quadrado do CO₂. Mesmo assim, o estudo destaca a falta de integração desses microplásticos nos modelos climáticos.

Regionalização e envelhecimento

Regiões oceânicas com acúmulo de lixo, como a Mancha de Lixo do Pacífico Norte, apresentaram impactos que, em alguns casos, superam os da fuligem. Oceanos atuam como grandes reservatórios que liberam partículas de volta à atmosfera.

Concentrações elevadas também aparecem sobre áreas densamente povoadas e industrializadas, como o Mediterrâneo e o leste da América do Norte. O envelhecimento dos plásticos, expostos ao Sol e a químicas, não elimina o efeito de aquecimento.

Os autores destacam incertezas relevantes, incluindo a dosagem de plásticos na atmosfera e sua distribuição em altas altitudes. Experimentos em condições simplificadas exigem validação adicional no ambiente real.

Perspectivas e limitações

Especialistas ressaltam que ainda faltam dados para medidas definitivas. O esforço atual requer pelo menos uma década de acompanhamento para consolidar conclusões. O estudo frisa a necessidade de ampliar observações e simulações.

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