O estudo, divulgado na Nature, mostra que a crise climática pode aumentar a quantidade de chuva e reduzir a água disponível em solos, rios e aquíferos. Pesquisadores da Dartmouth College analisaram registros globais de chuva de 1980 a 2022 e identificaram chuvas mais intensas separadas por períodos secos.
O trabalho revela que, em várias regiões, a precipitação ficou mais concentrada em eventos fortes e menos distribuída ao longo do ano. Isso dificulta a absorção da água pelo solo e eleva a evaporação, reduzindo a disponibilidade hídrica apesar do aumento do volume total de chuva.
Alerta
A bacia amazônica aparece entre as áreas mais impactadas. Segundo o estudo, as chuvas passaram a se concentrar 30% mais em eventos extremos desde 1980, com períodos secos mais prolongados, configurando a maior mudança registrada globalmente.
Corey Lesk, primeiro autor da pesquisa, afirma que a concentração de chuvas já é um fator tão relevante quanto o volume anual para determinar a umidade do solo. Os modelos climáticos indicam piora com o aquecimento global.
O estudo utiliza o coeficiente de Gini para medir a concentração das chuvas ao longo do ano. Quanto próximo de 1, mais intensas são as precipitações em poucos dias, reduzindo a disponibilidade de água para ecossistemas.
Administração
A gestão hídrica enfrenta novos desafios com ciclos mais extremos entre enchentes e secas. Reservatórios e redes de abastecimento precisarão de estratégias de armazenamento mais eficientes para enfrentar a variabilidade climática crescente.
Os autores destacam a incerteza sobre se o aumento do volume total de precipitação acompanhará a maior concentração de chuvas. Em um planeta mais quente, a superfície terrestre tende a ficar mais seca entre eventos intensos.
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