Um núcleo de gelo extraído da Antártida revela o registro climático contínuo mais antigo já obtido, com dados de até 1,2 milhão de anos. A descoberta foi publicada pela revista Nature.
O material veio de uma perfuração de 2,8 quilômetros no Pequeno Domo C, na Antártida, pela colaboração Beyond EPICA. As informações foram apresentadas na assembleia da União Europeia de Geociências, em Viena.
O gelo preserva bolhas de ar antigo, permitindo reconstruir concentrações de dióxido de carbono e relacioná-las a temperaturas globais ao longo de eras glaciais. São dados essenciais para entender o clima passado.
Transformação do Pleistoceno Médio
O núcleo cobre a Transição do Pleistoceno Médio, quando os ciclos glaciais mudaram de cerca de 40 mil para perto de 100 mil anos. As eras tornaram-se mais longas, frias e intensas, segundo os pesquisadores.
Uma hipótese envolve alterações nas concentrações de CO2 na atmosfera, que podem ter contribuído para intensificar as fases glaciais. O estudo analisa a relação entre gases e temperaturas ao longo do tempo.
Antártica como arquivo climático
Cientistas afirmam que os núcleos de gelo funcionam como arquivos naturais do clima terrestre. Além das bolhas, o material registra isótopos de oxigênio que indicam temperaturas passadas.
O coordenador do Beyond EPICA, Carlo Barbante, destaca que os dados ajudam a entender como gases de efeito estufa interagiram com a temperatura histórica do planeta. O registro contínuo é visto como central para modelagem climática.
O paleoclimatologista Edward Brook ressalta que obter esse registro tão longo era um objetivo de décadas. Ainda há grande volume de informações a ser explorado nas amostras antárticas.
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