O rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber) continua impressões na pesquisa da longevidade. Cientistas investigam seus mecanismos para possíveis aplicações humanas, visando retardar o envelhecimento e reduzir doenças degenerativas. Estudos recentes destacam senescência celular e reparo genômico como caminhos centrais.
Pesquisadores japoneses, liderados por Kyoko Miura da Universidade de Kumamoto, examinam a senescência celular nesse roedor. Em particular, o papel de INK4a e RB no bloqueio da proliferação celular pode explicar como o animal evita efeitos negativos da idade, ao contrário de humanos e camundongos.
A senólise natural emerge como ponto-chave: a eliminação de células envelhecidas ocorre por meio de uma via que envolve serotonina, MAO e danos oxidativos, contribuindo para a resistência à aging. O processo pode explicar, em parte, a saúde prolongada observada no roedor.
Em outra linha de pesquisa, uma equipe chinesa da Universidade de Tongji, em Xangai, analisou mutações da enzima cGAS que fortalecem o reparo do DNA por recombinação homóloga. Essas mutações permitem atuação nuclear da proteína, protegendo o genoma após danos.
Esse achado, publicado na Science em 2025, sugere que o cGAS pode ter papel benéfico no núcleo, ao contrário do que ocorre em outras espécies. O estudo envolveu mudanças em apenas quatro aminoácidos da proteína, influenciando sua função de reparo.
Pesquisadores da Universidade de Rochester, nos EUA, liderados por Vera Gorbunova e Andrei Seluanov, estenderam a investigação para o ácido hialurônico de alto peso molecular. O has2, gene responsável pela síntese de HMW-HA, está presente em maior quantidade no rato-toupeira-pelado e, quando transferido para camundongos, reduziu inflamação e elevou a expectativa de vida em cerca de 4,4%.
A equipe americana publicou os resultados da presença elevada de HMW-HA na Nature em 2023, apontando o potencial de transferir mecanismos de longevidade entre mamíferos. Com esse caminho, pesquisadores buscam moléculas que mantenham o ácido estável ou aumentem sua produção, visando benefícios à saúde humana.
Coautores do estudo em Rochester destacam que as descobertas ajudam a entender como a longevidade pode ser exportada para outras espécies. Atualmente, a linha de pesquisa avança para identificar alvos moleculares que retardem a degradação do ácido hialurônico e ampliar seus efeitos benéficos.
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