Priscyla Laham, presidente da Microsoft, disse durante a São Paulo Innovation Week que a IA não é apenas uma questão tecnológica, mas de transformação humana no ambiente de trabalho. O painel ocorreu nesta quinta-feira (14) em São Paulo, no formato de parceria entre Estadão e Base Eventos.
No debate sobre fronteiras entre humanos e IA, o conceito de frontier firms foi apresentado como empresas de ponta lideradas por pessoas e apoiadas por IA. A fala enfatizou que o foco deve estar nas pessoas e nas mudanças de comportamento, não apenas na tecnologia.
Laham afirmou que grande parte das empresas já utiliza IA, mas destacou duas capacidades humanas que não podem ser substituídas: lidar com ambiguidade e tomar decisões. Para ela, informações ruins geram resultados ruins se não houver julgamento humano.
A executiva ressaltou ainda que a incorporação da IA nas empresas exige mudanças na forma de trabalhar, incluindo a redução de tarefas repetitivas. Ela listou quatro perguntas-chave para a implementação: movimentar a força de trabalho para o futuro, repensar a relação com o cliente, redesenhar processos e acelerar a inovação.
IA e desigualdade
A palestra também destacou impactos da IA na desigualdade. Dados apresentados mostraram variação na permeação de IA entre regiões: 16% no Sul Global e 27% no Norte Global. Laham alertou que o acesso desigual pode ampliar lacunas se não houver inclusão de mais pessoas.
Ela observou ainda que o uso da IA tende a aumentar a participação feminina apenas com políticas de inclusão. Sem ampliar o acesso, existem riscos de aprofundar a divisão de oportunidades no mercado de trabalho.
Sobre o evento
O São Paulo Innovation Week é descrito como um dos maiores festivais globais de tecnologia e inovação. Realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, o evento ocorre no Pacaembu e na FAAP, com mais de 2 mil palestrantes previstos nos três dias.
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