O Brasil deve receber o primeiro medicamento capaz de retardar a progressão do Alzheimer em junho, após aprovação da Anvisa. O lecanemabe atua sobre as placas de beta-amiloide e já mostrou desaceleração do declínio cognitivo em fases iniciais da doença em estudos internacionais.
A chegada dessa terapia marca uma mudança de concepção na medicina brasileira sobre o Alzheimer. Pela primeira vez, há a possibilidade de intervir biologicamente na evolução da doença, em vez de agir apenas nos sintomas.
O medicamento não é cura. Não restaura funções perdidas nem interrompe a progressão por completo. O objetivo é retardar o avanço e manter a qualidade de vida por mais tempo.
Essa possibilidade traz esperança para pacientes e famílias, mas também exige diagnóstico precoce. A indicação é para estágios iniciais ou comprometimento cognitivo leve, tornando o rápido reconhecimento crucial.
Desafios e critérios de uso
Exames rigorosos para confirmação diagnóstica e monitoramento são necessários devido a potenciais efeitos adversos, como edema cerebral e micro-hemorragias. Além disso, a terapia tem custo elevado.
Quem terá acesso depende de estrutura diagnóstica adequada e de centros especializados. A discussão pública envolve políticas para ampliar a capacidade de diagnóstico, formação de profissionais e financiamento.
A chegada da terapia também coloca a saúde cerebral no centro das políticas públicas. A sociedade precisa discutir envelhecimento cognitivo, prevenção e qualidade de vida à medida que a expectativa de vida aumenta.
O cenário clínico brasileiro passa a incorporar uma estratégia terapêutica que transforma a neurologia de uma atuação quase exclusivamente paliativa para uma abordagem que pode modificar a trajetória da doença.
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