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Obesidade demanda avaliação mais apurada

Estudo da Nature aponta obesidade como questão socioeconômica; no Brasil, crescimento contínuo eleva custos e demanda políticas públicas voltadas à alimentação infantil

. - (crédito: Freepik)
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O estudo divulgado na revista Nature aponta que a obesidade deve ser encarada com foco nas suas relações socioeconômicas, e não apenas como epidemia global. Pesquisadores de uma rede internacional analisaram dados de 197 países ao longo de 40 anos, reunindo 4.050 estudos populacionais urbanos e rurais para entender as dinâmicas da doença.

Os resultados indicam que a obesidade está crescendo com intensidade maior em regiões marcadas por falhas de urbanização, dificuldade de acesso a alimentos saudáveis, sedentarismo, desigualdade social e outros fatores estruturais. O peso da obesidade, portanto, é, em grande parte, social, não apenas individual. A pesquisadora Alicia Matijasevich, da USP, ressalta que rotular o fenômeno como epidemia global pode ocultar diferenças relevantes entre países e grupos populacionais.

Brasil em foco

No Brasil, o relatório aponta que a obesidade atingiu patamares elevados e não apresenta sinal de estabilização. A tendência é de aceleração entre homens adultos e entre pessoas de diversas faixas etárias, com necessidade de aprofundar pesquisas sobre a influência de gênero. Pesquisadores destacam que o avanço ocorre mesmo com estabilização observada em países de alta renda, como a França, onde o índice entre crianças permaneceu estável.

Desafios para países em desenvolvimento

Entre as principais preocupações, está a relação entre desnutrição histórica e aumento do consumo de ultraprocessados. A falta de resposta regulatória a produtos pouco saudáveis evidencia uma transição alimentar que pode elevar custos e demanda por serviços de alta complexidade, como tratamento de infartos e cânceres. A partir disso, o estudo alerta para impactos sistêmicos possíveis em sistemas de saúde.

Impactos econômicos e custo para o SUS

Dados de levantamento do Instituto Desiderata indicam que apenas a obesidade infanto-juvenil pode gerar custos diretos de até 3,8 bilhões de reais ao SUS até 2060, com 95% das despesas concentradas em internações. A implementação de políticas públicas eficazes poderia reduzir a obesidade infantil em pelo menos 10%, gerando economia superior a 1 bilhão de reais e salvando mais de 70 mil vidas, entre outros benefícios.

Medidas estruturais sugeridas

Especialistas destacam medidas voltadas aos jovens, como a alimentação infantil saudável em tempo integral nas escolas. No Brasil, apenas cerca de uma em quatro crianças tem acesso à jornada escolar com tempo integral, o que evidencia fragilidades na oferta de cardápios equilibrados. As recomendações indicam que ações consistentes do governo são necessárias para ampliar o alcance de decisões ligadas à saúde pública.

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