Como as regras da União Europeia podem tornar mais caro o combustível de aviação sustentável e favorecer tecnologias menos eficientes
Um estudo da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, publicado na revista Fuel, analisa como a regulação da UE sobre combustíveis de aviação pode influenciar custos e eficiência. A pesquisa foca na produção de metanol sintético a partir de biomassa residual.
Os pesquisadores comparam três métodos de síntese a partir de resíduos florestais, avaliando custos e desempenho energético. Dois dependem da queima da biomassa para gerar CO2, que se combina com hidrogênio verde; o terceiro usa gaseificação para produzir gás de síntese.
A gaseificação apresentou melhor desempenho: custo de produção até 46% menor e consumo de eletricidade cerca de 30% menor do que as rotas baseadas em combustão. Isso reforça ganhos de eficiência quando o carbono não passa pela etapa de combustão.
Entretanto, as regras atuais classificam o processo por gaseificação fora da categoria RFNBO, por restringirem o uso direto de carbono da biomassa. Assim, o regulamento favorece caminhos menos eficientes energeticamente, segundo os autores.
Os autores destacam que, na prática, a política europeia pode incentivar o uso inadequado de recursos limitados, reduzindo os ganhos de eficiência desejados para a descarbonização da aviação a longo prazo.
Como consequência, o estudo aponta que decisões regulatórias hoje podem moldar o setor por décadas, com milhares de fábricas de combustíveis sustentáveis previstas e alto investimento envolvido.
A pesquisadora responsável ressalta que já existem processos maduros que reduziriam consumo de energia e custos, mas não recebem incentivos suficientes sob as regras atuais da UE.
Entre na conversa da comunidade