Uma equipe do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa identificou sinais de uma tempestade solar histórica, ocorrida entre 1200 e 1201, revelando um evento medieval extremo. A evidência veio de anéis de árvores preservadas no norte do Japão e de relatos antigos de céus vermelhos.
Os pesquisadores publicaram as conclusões nos Anais da Academia do Japão, Série B. O estudo aponta que uma intensa liberação de partículas solares energéticas atingiu a Terra com velocidades elevadas, deixando marcas no ambiente natural e nos registros históricos.
A análise de árvores antigas mostrou picos de carbono-14, um indicativo de radiação solar intensa. Paralelamente, relatos medievais descreviam auroras vermelhas incomuns, antes interpretadas como fenômenos misteriosos. Juntas as pistas sustentam a hipótese de uma tempestade solar poderosa.
O céu vermelho medieval
Relatos japoneses da Idade Média descrevem luzes vermelhas no céu, um fenômeno que hoje pode estar ligado a auroras extremas. A comparação com os anéis de crescimento das árvores permitiu associar esses fenómenos a uma atividade solar excepcional.
Os resultados indicam que o Sol apresentava maior atividade entre 1190 e 1220, com ciclos mais curtos que os atuais. A descoberta sugere que o Sol era significativamente mais instável naquela época.
A pesquisa reforça a ideia de que eventos solares antigos servem como arquivos naturais, ajudando a entender riscos para futuras missões espaciais. Técnicas de dendrocronologia, aliadas a registros históricos, ampliam o conhecimento sobre SPEs.
Implicações para a exploração espacial
Os autores destacam que tempestades solares desse tipo podem representar riscos para astronautas e naves em missões fora da órbita da Terra. Mesmo com o campo magnético terrestre protegendo o planeta, ataques intensos podem gerar doses perigosas de radiação em missões tripuladas.
O estudo sugere que compreender episódios passados contribui para o desenvolvimento de sistemas de alerta e proteção. Cresce, assim, a importância de monitoramento solar e de estratégias de mitigação para missões à Lua e além.
A publicação ressalta que registros naturais, como anéis de árvores, funcionam como arquivos adicionais para a ciência. Ao reconstituir esse episódio, a pesquisa amplia o conhecimento sobre o comportamento do Sol e sobre possíveis impactos no futuro.
Entre na conversa da comunidade